26 de Agosto de 2025
Skull
Voluntário do Brasil
Skull servi e ainda sirvo como soldado de infantaria. Tenho experiência em assalto e defesa e, atualmente, sou comandante de um grupo de assalto em um batalhão da Legião Internacional. Estou aqui há mais de um ano e três meses e não me arrependo. Se pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo para adquirir essa experiência.
Trabalhei como segurança particular no Brasil. Acompanhei a guerra pelos noticiários e senti, no coração, um desejo muito forte de vir ajudar o povo ucraniano em sua luta pela liberdade. Então, tirei meu passaporte, comprei uma passagem aérea, fui para a Polônia e, de lá, entrei na Ucrânia de ônibus. Tudo correu muito bem. Não tive problemas no controle de imigração: avisei que iria para a Legião Internacional, e eles rapidamente carimbaram meu passaporte e me desejaram boa viagem.
Assim que cheguei à cidade ucraniana de Ternopil, ingressei imediatamente na Legião Internacional e passei por treinamento militar. Foi algo muito diferente do que eu estava acostumado quando servi no Exército Brasileiro. Quase nada do que eu havia aprendido antes usei aqui, nem em treinamento nem em combate. O treinamento médico foi muito completo. Até então, eu não sabia aplicar um torniquete, e aqui é fundamental conseguir fazer isso.
Também recebi imediatamente um uniforme militar e vários equipamentos. Deram-me tudo novo, embalado em plástico. Fiquei surpreso, porque antes tinha ouvido que tudo tinha que ser conquistado, que era preciso suar muito para obter. Mas não tive problemas com isso, nem com as armas. Nem imaginei que receberia logo um fuzil novo, pronto para uso. A logística também foi muito boa: levavam-nos de ônibus para o treinamento e sempre preparavam comida para nós.
No geral, foi muito bom, embora, no início, a barreira do idioma tenha sido um grande problema. Por isso, sempre tentei estar perto de brasileiros, colombianos e outros latino-americanos, porque podíamos nos comunicar livremente. Mas também mantemos boas relações com os ucranianos. Nunca tive problemas com eles: são, em geral, muito amigáveis e gratos pela nossa ajuda na luta deles.
Para todos que desejam vir, quero dizer o seguinte: admiro muito o verdadeiro soldado, aquele que não vem para a guerra em busca de aventura ou dinheiro, mas sim com bondade no coração para ajudar a Ucrânia contra a invasão injusta da Rússia. É importante que todos que desejam vir se preparem bem, tanto psicológica quanto fisicamente. A frente de batalha é algo que nunca vimos em nossas vidas, especialmente nós, brasileiros. Não estamos acostumados, embora eu tenha vivido em condições de guerra de rua no Rio de Janeiro. Mas aqui trata-se de uma guerra em grande escala, completamente diferente.