2 de Março de 2026
Kaban
Voluntário do Brasil
Sou do interior do estado de Minas Gerais, no Brasil, mas morei na Europa por mais de dez anos. Hoje estou na Ucrânia há quase dois anos, um país que se tornou meu lar.
Acredito na força do povo ucraniano. Acredito que esse povo não vai desistir. Apesar do que se possa ouvir em alguns meios de comunicação, como se “a rússia fosse vencer”, a verdade é outra: uma guerra em grande escala já dura quatro anos, e a Ucrânia se mantém firme. O povo ucraniano está resistindo. E eu vejo isso todos os dias.
Quando a invasão russa em grande escala começou em 2022, eu morava na Europa. Tenho um filho que também mora lá. Pensei que essa guerra pudesse ir mais longe. Mesmo naquela época, sentíamos as consequências — aumento dos preços, instabilidade. Mas não se tratava apenas da economia. Senti que precisava fazer algo.
Entrei em contato com os militares que já estavam aqui, obtive informações e fui para a Ucrânia. Aqui, compareci ao ponto de recrutamento de voluntários estrangeiros — e foi aí que minha jornada na Ucrânia começou. Minha primeira unidade foi a Quarta Legião Internacional. Passamos por um treinamento militar intensivo de cerca de dois meses. Foi uma base sólida que me abriu oportunidades para servir ainda mais.
Inicialmente, eu era motivado pelo desejo de ajudar a impedir uma guerra que poderia ter se alastrado. Mas, uma vez aqui, minha visão mudou. Vi como os ucranianos são hospitaleiros, fortes e unidos. Hoje tenho uma família ucraniana — e isso me motiva ainda mais.
Sei que pessoas estão morrendo. Dói. Mas também vejo que os ucranianos não querem desistir. Eles querem lutar até o fim. Há força nesta cultura. A perseverança é o que une ucranianos e brasileiros. Nós, brasileiros, temos garra. E os ucranianos também.
Eu costumava servir com americanos, brasileiros, colombianos, canadenses e, agora, principalmente com ucranianos. E nunca tive problemas por causa da nacionalidade. O importante aqui é que você veio para proteger as pessoas.
Há um salário, tudo é pago claramente, duas vezes por mês. Mas se alguém pensa apenas em dinheiro, essa é a motivação errada. Quero dizer honestamente: não venham para cá com a ideia de que a guerra é como um jogo de computador. A guerra é sangue, dor e um risco real de perder a vida. Nenhuma quantia em dinheiro pode compensar isso.
Se vierem, venham com uma ideia, com compreensão, com vontade de ouvir e aprender. Aqui vocês servirão com ucranianos, receberão ordens de ucranianos. Vocês têm que se adaptar à cultura e ao sistema militar deles, e não o contrário.
Agora estou servindo na 31ª Brigada Mecanizada Separada. É uma brigada forte com bom apoio. Temos uma unidade que é composta principalmente por brasileiros. Comecei como instalador de explosivos para drones e, mais tarde, tive a oportunidade de me tornar piloto de drones. Há um crescimento profissional real aqui, se você estiver disposto a aprender e trabalhar. Tudo o que nos foi prometido foi cumprido.
Quando você vê as notícias sobre o bombardeio de civis, sobre crianças feridas e mortas, é impossível descrever em palavras. É por isso que estou aqui. Vim para proteger as crianças, os idosos, os inocentes.
Minha definição de Ucrânia é amor. A Ucrânia me acolheu. Tornou-se meu lar. Admiro o povo ucraniano e sua cultura e estou pronto para estar ao lado deles até o fim.