“Spiderweb” – uma operação lendária dos serviços especiais ucranianos

Em 25 de março, os funcionários do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) comemoram seu aniversário profissional. Desde os primeiros dias da invasão russa em larga escala, os agentes dos serviços especiais ucranianos, assim como outros defensores, levantaram-se para defender a pátria. Eles identificaram e neutralizaram agentes inimigos e, rapidamente, levaram a guerra ao território do agressor. Unidades de drones de longo alcance do SBU infligiram ataques devastadores a instalações militares, industriais e refinarias de petróleo na retaguarda russa.


A operação mais marcante do SBU foi a Operação “Spiderweb” — um ataque simultâneo contra dezenas de aeronaves militares russas. Em 1º de junho de 2025, quatro aeródromos militares russos localizados na retaguarda, a centenas e até milhares de quilômetros da linha de frente, foram atacados simultaneamente. O ataque foi realizado com drones controlados remotamente, capazes de atingir alvos inimigos sem serem detectados.


A preparação da operação especial ocorreu sob condições de máximo sigilo durante quase um ano e meio. Inicialmente, o SBU realizou uma complexa operação logística para transportar centenas de drones e oito cabines de lançamento, disfarçadas como casas modulares de madeira, para o território russo. As cabines foram equipadas com painéis solares e baterias, enquanto os drones receberam equipamentos de comunicação, o que possibilitou seu controle a partir do território ucraniano. A carga foi transportada através da fronteira explorando brechas na fiscalização alfandegária russa.


A operação foi coordenada em território inimigo por um casal. Originários da Ucrânia, eles haviam se mudado para a rússia há muito tempo. Fluentes em russo e portadores de passaportes russos, não levantaram suspeitas. Em uma cidade russa, criaram uma empresa de logística, equiparam um armazém, contrataram motoristas e prepararam discretamente o lançamento da “Spiderweb”.


No final de maio, os caminhões partiram por diferentes rotas através da rússia. Os motoristas não faziam ideia do que estavam transportando. Em 1º de junho, os tetos das cabines foram abertos remotamente, e mais de cem drones decolaram simultaneamente, atingindo quatro aeródromos russos. Em apenas uma hora, operadores ucranianos conseguiram destruir ou danificar 41 aeronaves militares russas. No total, cerca de um terço dos lançadores de mísseis de cruzeiro estratégicos da rússia foi atingido. Além disso, um depósito de mísseis de cruzeiro, que estavam sendo preparados para lançamento contra cidades ucranianas, foi destruído em um dos aeródromos. O valor estimado dos equipamentos atingidos como resultado da operação “Spiderweb” ultrapassa US$ 7 bilhões.


Após o ataque, as forças de segurança russas incluíram as esposas dos agentes ucranianos na lista de procurados — mas já era tarde demais. Elas deixaram a rússia poucos dias antes do fim da operação.


“De acordo com as leis e costumes da guerra, definimos alvos absolutamente legítimos — aeródromos militares e aeronaves que bombardeiam nossas cidades”, enfatizou a liderança do SBU na época.


Especialistas militares de diferentes países chamaram essa operação ucraniana de “o Pearl Harbor da aviação”, comparando-a ao devastador ataque japonês à frota americana em 1941, ou até mesmo ao lendário Cavalo de Troia. Única em seu conceito e execução, a Operação “Spiderweb” certamente será incluída nos livros de história militar e nos estudos sobre serviços de inteligência.


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, parabenizou os funcionários do Serviço de Segurança da Ucrânia por seu dia profissional e destacou que os ucranianos podem, com razão, orgulhar-se de seu Serviço de Segurança — verdadeiramente combativo, patriótico e eficaz.