29 de Abril de 2026
Drones ucranianos deslocam a guerra para a retaguarda russa
Com a chegada da primavera e o aumento das temperaturas, as forças russas intensificaram sua ofensiva ao longo de quase toda a linha de frente. Em um cenário em que o inimigo possui mais recursos em equipamentos e pessoal, as Forças de Defesa da Ucrânia estão adotando uma estratégia assimétrica, em vez de uma tradicional “guerra de desgaste”.
“Nossas principais tarefas são tornar cada avanço do inimigo o mais custoso possível, destruir suas forças, conter seu progresso e atacar áreas de retaguarda, especialmente instalações do complexo militar-industrial no interior do território russo”, afirmou o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas da Ucrânia, General Oleksandr Syrsky.
Como resultado, o inimigo vem sofrendo perdas que superam sua capacidade de reposição. Março tornou-se um mês recorde em perdas russas em todas as categorias — desde sistemas de defesa aérea até efetivos humanos — com cerca de 36 mil soldados mortos e feridos.
As Forças de Drones têm infligido as maiores perdas ao efetivo inimigo. Elas receberam a missão de eliminar mais soldados por mês do que a Rússia consegue recrutar. Segundo o comandante das Forças de Drones da Ucrânia, Robert Brovdy (“Magyar”), em entrevista à BBC (https://www.bbc.com/news/articles/c1d9wvd2e4ro), a meta é eliminar mais de 30 mil invasores por mês — objetivo que vem sendo alcançado há quatro meses consecutivos.
Ele também destacou que “o território a uma distância de 1.500 a 2.000 km dentro da Rússia já não pode ser considerado uma retaguarda segura, pois os drones ucranianos podem atingir esses locais quando e onde desejarem”.
De acordo com o Ministério da Defesa da Ucrânia, desde o início da invasão em larga escala, o alcance dos ataques em profundidade aumentou mais de 2,5 vezes. Em 2022, era possível atingir alvos a cerca de 630 km da linha de frente; em 2026, esse alcance chega a aproximadamente 1.800 km. Recentemente, drones ucranianos alcançaram cidades distantes como Ecaterimburgo e Cheliabinsk, onde estão localizadas importantes instalações industriais e centros de treinamento militar.
Curiosamente, o ex-ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, reconheceu recentemente que a região dos Montes Urais já não pode mais ser considerada uma retaguarda segura.
Os defensores ucranianos continuam atingindo também alvos mais próximos. Após o terceiro ataque de drones em um mês, a infraestrutura de refino e armazenamento de petróleo no porto de Tuapse, no Mar Negro, foi destruída.
Drones do Serviço de Segurança da Ucrânia também atacaram com sucesso instalações militares na Crimeia temporariamente ocupada. Como resultado, foram atingidos os grandes navios de desembarque Yamal e Filchenkov, além do navio de reconhecimento Ivan Khurs. Duas estações de radar, um quartel-general de defesa aérea, infraestrutura de um aeródromo militar e uma aeronave também foram danificados.
Posteriormente, drones das forças de operações especiais atingiram um depósito de mísseis Iskander na península. Informações sobre a base camuflada foram fornecidas por membros da resistência ucraniana nos territórios ocupados.
O presidente Volodymyr Zelensky instruiu o Ministério da Defesa e o Estado-Maior a fornecer 50 mil sistemas robóticos terrestres às Forças de Defesa da Ucrânia até 2026. A necessidade real desses sistemas e o nível de fornecimento serão avaliados mensalmente.
Segundo Zelensky, os complexos robóticos terrestres estão entre as maiores prioridades atuais das forças armadas.
“Todos devem entender que isso significa salvar vidas. Logística na linha de frente, evacuação de feridos e missões de combate — o uso de sistemas robóticos terrestres está se desenvolvendo rapidamente. É assim que deve ser”, afirmou o presidente.
(Leia mais sobre a bem-sucedida experiência ucraniana no desenvolvimento e uso de complexos robóticos terrestres aqui: https://joinuarmy.org/pt/all-news/forbes-ukrainian-combat-robots/)
Uma aeronave leve bimotora AN-28 foi equipada com drones interceptores P1-Sun. O avião possui três suportes em cada asa, totalizando seis drones interceptores.
Esse novo método permite destruir alvos aéreos inimigos utilizando drones como alternativa mais acessível e econômica aos mísseis ar-ar. Os operadores podem controlar os drones diretamente da cabine da aeronave.
Esta é a primeira vez na história que uma aeronave é utilizada como plataforma para lançamento de drones antiaéreos.
O drone interceptor P1-Sun já demonstrou eficácia contra drones do tipo Shahed, amplamente utilizados pela Rússia. Além disso, aeronaves AN-28 armadas com metralhadoras também têm se mostrado eficientes contra esse tipo de ameaça. Com a combinação de diferentes meios de combate, a defesa contra drones entra em um novo nível.
A Ucrânia tornou-se um polo de desenvolvimento de armamentos modernos, e seu exército acumula uma das experiências mais avançadas em guerra contemporânea. Os soldados ucranianos convidam voluntários estrangeiros a se juntarem às suas fileiras, oferecendo a oportunidade de adquirir experiência militar de ponta.