16 de Junho de 2026
Chimu
Voluntário da Colômbia
Antes de vir para a Ucrânia, servi no exército colombiano. Após a desmobilização, trabalhei em uma fazenda e levei uma vida normal. Fiquei sabendo da guerra na Ucrânia pelas redes sociais. Durante vários meses, acompanhei as notícias diariamente – assisti a vídeos e li histórias de pessoas que vivenciavam a invasão russa. Fiquei especialmente impressionado com as imagens de casas destruídas, as histórias de famílias que perderam tudo e crianças obrigadas a viver ao som de sirenes e explosões. Aos poucos, percebi que não podia permanecer indiferente.
Em julho de 2025, cheguei à Ucrânia. O que vi foi significativamente diferente do que eu havia imaginado. Assistindo a vídeos na internet, pensei que o país inteiro estivesse em ruínas. Na verdade, a maioria das cidades continuava com suas vidas. As pessoas trabalhavam, criavam filhos e faziam planos para o futuro. A guerra estava próxima, mas sua verdadeira face só se revelava mais perto da linha de frente.
Um dos principais motivos que me levaram a vir foi a minha postura em relação ao que estava acontecendo. Vi como a rússia atacava a infraestrutura civil, cidades e vilarejos onde vivem pessoas pacíficas. Foi especialmente doloroso para mim ver o sofrimento das crianças. Senti que queria ajudar aqueles que defendiam sua terra. Também era importante para mim que os ucranianos lutassem pelo direito de permanecerem eles mesmos — de falar sua própria língua, preservar sua própria cultura e determinar de forma independente o futuro de seu Estado.
A guerra na Ucrânia acabou sendo diferente do que eu havia imaginado. É uma guerra extremamente tecnológica. Os drones se tornaram parte integrante do campo de batalha. No início, eles causam medo. Você entende que pode estar sendo observado a qualquer momento. Mas, com o tempo, você se adapta à nova realidade, aprende a se mover com mais cuidado e a tomar as decisões certas em circunstâncias difíceis.
Aqui, adquiri muitas novas habilidades. Aprendi a prestar assistência a camaradas feridos, dominei novos tipos de armas e técnicas de combate moderno. Lembro-me do meu primeiro disparo com um lançador de granadas antitanque. Eu estava nervoso, porque nunca havia sequer segurado uma arma dessas em minhas mãos. No entanto, a experiência vem com a prática, e o nervosismo é substituído pela confiança.
Durante a guerra, conheci voluntários de diferentes países do mundo - brasileiros, peruanos, britânicos e muitos outros. Mas, acima de tudo, claro, colombianos. Estamos unidos pela vontade de nos apoiarmos mutuamente e seguirmos em frente, mesmo quando é extremamente difícil.
Gostaria de dizer algo especial sobre os ucranianos. Fiquei muito impressionado com a gratidão deles. As pessoas nos trataram com respeito e sinceridade. Nos assentamentos da linha de frente, os moradores locais frequentemente nos traziam produtos caseiros e tudo o que podiam compartilhar. As crianças nos davam pequenas lembranças, pediam para serem fotografadas e simplesmente agradeciam pela ajuda. Esses momentos permanecerão para sempre na minha memória.
Quando me perguntam se vale a pena ir para a Ucrânia como voluntário, sempre respondo da mesma forma: primeiro, é preciso estudar tudo muito bem e entender exatamente para onde se está indo. Este não é um lugar para quem busca dinheiro fácil ou aventura. A guerra moderna é extremamente perigosa. Todos devem estar cientes de todos os riscos antes de tomar uma decisão como essa.
Apesar de todas as dificuldades, não me arrependo da minha escolha. Aqui conheci pessoas incríveis, vi a coragem dos soldados ucranianos e compreendi o verdadeiro preço da liberdade. A Ucrânia me acolheu como amigo. É por isso que sempre me lembrarei deste país e das pessoas que conheci aqui.
Glória à Ucrânia!