Quando há um soldado ucraniano por perto, isso dá confiança
– O exército ucraniano é um ótimo lugar para quem quer seguir carreira como soldado profissional – diz o colombiano Julian.
Ele serve no exército ucraniano há mais de três anos e meio. Por seu excelente serviço, Julian recebeu a patente de sargento e três condecorações, sendo a mais alta a “Cruz de Ouro”. Essa condecoração honorária é concedida a soldados e sargentos por bravura demonstrada em combate, atos heroicos ou comando bem-sucedido de uma unidade em situação crítica, na ausência ou morte de um oficial.
Em entrevista ao Centro de recrutamento para estrangeiros, Julian falou sobre sua experiência servindo no exército ucraniano.
– Por formação, sou físico-engenheiro, mas fui soldado na Colômbia. Amo o serviço militar, amo a irmandade militar.
Na Ucrânia, comecei a servir na Legião Internacional. Agora sirvo no 2º batalhão do 33º regimento de assalto. Realizamos missões especiais de assalto. Este é um trabalho muito difícil, mas sabemos como fazê-lo corretamente. O mais importante é confiar nos seus camaradas, na sua equipe, e sentir-se bem com eles.
Eu tinha experiência militar, mas na Ucrânia recebi treinamento adicional. Isso é muito importante. Se você treina bem no campo de treinamento, então na linha de frente você tem uma chance muito maior de concluir a tarefa com sucesso e voltar vivo. Você precisa treinar e ser capaz de fazer tudo da melhor maneira possível. Nosso batalhão tem um treinamento muito sério. Estamos constantemente aprendendo a reagir a diferentes situações de combate, aprimorando nossas habilidades no uso de diferentes tipos de armas.
Estive em diferentes posições e situações na linha de frente e posso dizer com confiança que, nos últimos três anos, a guerra se tornou mais complicada. Usamos armas modernas, incluindo drones e muito mais. Graças a isso, é mais fácil concluir as tarefas e voltar para casa ilesos. O mais importante é proteger seus companheiros, proteger suas vidas. A segurança de seus camaradas está acima de tudo.
– Os ucranianos têm um bom coração. Os rapazes ucranianos são guerreiros incríveis. É por isso que acho que a Ucrânia vai vencer. Quando você tem um coração bom e forte, você dedica sua vida a servir seu país, lutando por sua liberdade.
Quando você vai para a linha de frente e um camarada ucraniano está ao seu lado, você sente essa força. Isso dá mais motivação, mais coragem. Claro, todos ficam com medo na frente de batalha. Mas quando um camarada ucraniano está ao seu lado, isso aumenta a força e a confiança.
Em nosso batalhão, somos uma família. Para nós, não faz diferença quem você é: ucraniano, colombiano, americano, britânico ou representante de outro país. Somos uma só família. Eu sirvo lado a lado com ucranianos, britânicos, colombianos, peruanos — e para nós não há diferença. Como diz o comandante do batalhão: “Vocês são uma família inseparável”. De fato, uma bala inimiga não distingue entre ucraniano e colombiano. Balas, drones ou projéteis são iguais para todos. É por isso que gosto dessa atitude do meu comandante. Ele nunca diz: “Você é diferente porque não é ucraniano”. Ele acredita em nós, e nós acreditamos nele.
– Nosso batalhão está aberto a novos membros. Nossa companhia aceita pessoas que falam espanhol. Precisamos de pessoas fortes — e não apenas fisicamente. O mais importante é a resistência mental, a coragem, a prontidão para situações difíceis e a capacidade de adaptação às condições de combate. Conosco, você receberá um bom treinamento. Mas lembre-se de que esta não é uma unidade comum. Pertencemos às equipes de assalto de mais alto nível da Ucrânia. Portanto, passamos por treinamentos muito sérios e realizamos tarefas complexas. Sim, às vezes é difícil. Mas quando você tem o treinamento adequado, coragem, honra e suas próprias convicções, você consegue.
Para aqueles que têm experiência de combate na Colômbia, quero dizer: acreditem em mim, este não é o tipo de guerra. E aqueles que desejam ingressar no exército ucraniano precisam entender isso. É importante treinar bem, ouvir seus comandantes e ter uma boa equipe.
Nascemos para nos apoiar mutuamente. Nascemos para nos ajudar. Um colombiano tem um bom coração. Podemos e queremos ajudar outros países a serem livres. Outros países nos ajudaram a conquistar a liberdade. Agora podemos retribuir isso à Ucrânia.
– A Ucrânia é um país incrível e lindo. Digo aos meus amigos ucranianos que é um país incrível pelo qual me apaixonei sinceramente. Recentemente, começamos a estudar ucraniano novamente, porque é muito importante para o trabalho na linha de frente.
Agora preciso de férias. Em quase quatro anos, nunca voltei à Colômbia. Quero ir para casa e depois retornar à Ucrânia, ao meu batalhão. Já combinei com o comandante: vou tirar 20 dias de férias e depois voltar. Será ótimo.
Amo a Ucrânia. Agora, após a implementação das novas regras para estrangeiros que servem no exército ucraniano, posso obter uma autorização de residência. Não muito longe do meu atual local de serviço, vi uma casa e estou pensando em comprá-la. Porque é um lugar muito bonito.
Julian
Um brasileiro que se sentiu ucraniano
“Estou aqui para defender os direitos do povo ucraniano, que agora se tornou minha família”, diz o jovem voluntário brasileiro Shakh-Mat. “Meus irmãos e eu estamos aqui para defender o direito dos ucranianos de viverem uma vida livre.” Ele se autodenomina um soldado ucraniano de nacionalidade brasileira. Em uma conversa com o Centro de recrutamento para estrangeiros, Shakh-Mat falou sobre sua experiência no serviço militar e sua integração ao ambiente ucraniano.
- Há quatro anos, eu morava na França, onde tive muitos contatos com ucranianos. Graças aos amigos ucranianos, conheci de perto a cultura e o modo de vida ucranianos.
Em 27 de fevereiro de 2022, o presidente da Ucrânia anunciou que voluntários estrangeiros seriam aceitos para servir no exército ucraniano. Logo, também encontrei informações na internet e aprendi muito com amigos que já estavam aqui. Um ou dois meses depois de completar 18 anos, eu já havia tomado a decisão de vir para a Ucrânia. Meus amigos me deram os nomes dos recrutadores e seus números no WhatsApp. Entrei em contato com eles e, em menos de uma semana, já estava em solo ucraniano.
Sobre servir no exército ucraniano
- Cheguei aqui sem experiência militar e sem treinamento físico específico. O exército ucraniano me proporcionou tudo isso. Embora o treinamento tenha durado apenas um mês, foi excepcionalmente significativo. Preparou-me completamente para a ação em condições de combate. Durante o treinamento, aprendemos muito sobre novas tecnologias e sobre táticas de combate ofensivo e defensivo.
Na minha opinião, a parte mais importante do treinamento é o primeiro socorro. Se você não souber isso, pode se tornar um peso para a equipe. Se você não puder ajudar seu camarada e ele não puder te ajudar, pode ser muito perigoso. Portanto, o primeiro socorro em combate é a parte mais importante do treinamento. Eu já tinha algum conhecimento de primeiros socorros, mas aqui o aprimorei significativamente.
Atualmente, sirvo na 31ª Brigada Mecanizada, no 3º Batalhão. Escolhi esta unidade porque é um batalhão muito bem equipado, uma brigada bem organizada e estruturada. O equipamento é muito confortável e os suprimentos são ótimos. Não precisei comprar nada. A brigada fornece tudo o que preciso. Quando precisei de algo antes da primeira missão, simplesmente pedi – e eles me deram.
Nunca tive dúvidas sobre essa escolha. A brigada me deu muita confiança em todas as áreas do serviço militar. Aqui conheci muitos outros brasileiros, assim como colombianos, peruanos, argentinos, japoneses e húngaros.
Agora faço parte da companhia Lotus, que é 100% brasileira. Graças aos esforços de nossos sargentos, esta é uma das melhores unidades da brigada.
Acredito que a rússia não vencerá esta guerra. Os ucranianos não param. Estamos constantemente introduzindo novas tecnologias, novas táticas de combate, aprimorando constantemente nossos combatentes. As tecnologias ucranianas estão em constante desenvolvimento e estão à frente das russas. Acredito que a Ucrânia vencerá.
Sobre a integração no ambiente ucraniano e a vida na Ucrânia
- Como eu disse, consegui entrar em lares ucranianos e me integrar bem ao ambiente ucraniano. Graças a isso, percebi que nossas culturas e nosso modo de vida são muito menos diferentes do que eu imaginava. Por causa disso, apaixonei-me ainda mais pela cultura ucraniana e por este povo, que agora se tornou o meu povo. Portanto, nos últimos quatro anos, cheguei a ter o desejo de vir morar aqui, e não apenas servir no exército.
Então, comecei a estudar a situação mais profundamente, aprendi como o povo da Ucrânia sofre por causa da agressão russa. Isso despertou em mim um forte desejo de vir para cá e ajudar o povo ucraniano em sua luta pela liberdade contra a escravidão.
Fiquei muito surpreso com a forma como me trataram imediatamente após cruzar a fronteira polaco-ucraniana. Desde o primeiro passo em solo ucraniano, senti uma atitude maravilhosa, muito melhor do que em muitos outros países europeus. Na Ucrânia, sou tratado com o máximo respeito, aceito em seu ambiente. Os soldados ucranianos sempre me tratam como um irmão, não como um estrangeiro. Eles sempre me veem como um dos seus, então hoje também me sinto um ucraniano. O que mais valorizo é a camaradagem — é um dos fundamentos mais importantes do serviço militar.
Sobre aprender ucraniano e conselhos para futuros voluntários
- Eu sei um pouco de ucraniano e continuo aprendendo. Posso dizer olá e obrigado, desejar-lhe saúde ou "que Deus abençoe a todos". Sei o suficiente para me comunicar com ucranianos em um nível básico.
Meu conselho para aqueles que querem aprender ucraniano é não apenas estudar online, mas também viver entre ucranianos, comunicar-se com eles todos os dias. Aprendi ucraniano em cerca de três meses justamente porque estava imerso no ambiente e na cultura ucraniana. E se você quer construir uma carreira militar na Ucrânia, então definitivamente precisa saber ucraniano.
Tenho três conselhos para quem quer se juntar às Forças de Defesa da Ucrânia. O primeiro é seguir as regras, respeitar a cultura e os seus camaradas. O segundo é preparar-se bem física e psicologicamente. Aqui, as marchas podem chegar a 20-25 quilômetros, e você precisa ficar em posição por um mês e meio a dois, às vezes três meses, sem contato externo. E o terceiro é entender claramente por que você está vindo para cá. Venha sabendo qual é o seu objetivo.
Tenho a oportunidade de conversar com muitos soldados ucranianos e estrangeiros, ouvir suas histórias. E a cada vez, vejo que nossas diferenças culturais só diminuem. A cada história, nos tornamos mais e mais parecidos uns com os outros.
Shakh-Mat
Antes de vir para a Ucrânia, servi no exército colombiano. Após a desmobilização, trabalhei em uma fazenda e levei uma vida normal. Fiquei sabendo da guerra na Ucrânia pelas redes sociais. Durante vários meses, acompanhei as notícias diariamente – assisti a vídeos e li histórias de pessoas que vivenciavam a invasão russa. Fiquei especialmente impressionado com as imagens de casas destruídas, as histórias de famílias que perderam tudo e crianças obrigadas a viver ao som de sirenes e explosões. Aos poucos, percebi que não podia permanecer indiferente.
Em julho de 2025, cheguei à Ucrânia. O que vi foi significativamente diferente do que eu havia imaginado. Assistindo a vídeos na internet, pensei que o país inteiro estivesse em ruínas. Na verdade, a maioria das cidades continuava com suas vidas. As pessoas trabalhavam, criavam filhos e faziam planos para o futuro. A guerra estava próxima, mas sua verdadeira face só se revelava mais perto da linha de frente.
Um dos principais motivos que me levaram a vir foi a minha postura em relação ao que estava acontecendo. Vi como a rússia atacava a infraestrutura civil, cidades e vilarejos onde vivem pessoas pacíficas. Foi especialmente doloroso para mim ver o sofrimento das crianças. Senti que queria ajudar aqueles que defendiam sua terra. Também era importante para mim que os ucranianos lutassem pelo direito de permanecerem eles mesmos — de falar sua própria língua, preservar sua própria cultura e determinar de forma independente o futuro de seu Estado.
A guerra na Ucrânia acabou sendo diferente do que eu havia imaginado. É uma guerra extremamente tecnológica. Os drones se tornaram parte integrante do campo de batalha. No início, eles causam medo. Você entende que pode estar sendo observado a qualquer momento. Mas, com o tempo, você se adapta à nova realidade, aprende a se mover com mais cuidado e a tomar as decisões certas em circunstâncias difíceis.
Aqui, adquiri muitas novas habilidades. Aprendi a prestar assistência a camaradas feridos, dominei novos tipos de armas e técnicas de combate moderno. Lembro-me do meu primeiro disparo com um lançador de granadas antitanque. Eu estava nervoso, porque nunca havia sequer segurado uma arma dessas em minhas mãos. No entanto, a experiência vem com a prática, e o nervosismo é substituído pela confiança.
Durante a guerra, conheci voluntários de diferentes países do mundo - brasileiros, peruanos, britânicos e muitos outros. Mas, acima de tudo, claro, colombianos. Estamos unidos pela vontade de nos apoiarmos mutuamente e seguirmos em frente, mesmo quando é extremamente difícil.
Gostaria de dizer algo especial sobre os ucranianos. Fiquei muito impressionado com a gratidão deles. As pessoas nos trataram com respeito e sinceridade. Nos assentamentos da linha de frente, os moradores locais frequentemente nos traziam produtos caseiros e tudo o que podiam compartilhar. As crianças nos davam pequenas lembranças, pediam para serem fotografadas e simplesmente agradeciam pela ajuda. Esses momentos permanecerão para sempre na minha memória.
Quando me perguntam se vale a pena ir para a Ucrânia como voluntário, sempre respondo da mesma forma: primeiro, é preciso estudar tudo muito bem e entender exatamente para onde se está indo. Este não é um lugar para quem busca dinheiro fácil ou aventura. A guerra moderna é extremamente perigosa. Todos devem estar cientes de todos os riscos antes de tomar uma decisão como essa.
Apesar de todas as dificuldades, não me arrependo da minha escolha. Aqui conheci pessoas incríveis, vi a coragem dos soldados ucranianos e compreendi o verdadeiro preço da liberdade. A Ucrânia me acolheu como amigo. É por isso que sempre me lembrarei deste país e das pessoas que conheci aqui.
Glória à Ucrânia!
Chimu
Vim para a Ucrânia não como aventureiro e, certamente, não como “mercenário”, como às vezes se diz. Antes de mais nada, quero esclarecer: aqui, nas Forças Armadas da Ucrânia, não existem empresas militares privadas nem pessoas que lutam sem regras. Todos os que servem são militares contratados, com responsabilidades claras, salário fixo e garantias sociais.
Aprendi sobre a guerra, como muitos outros, pela internet — vídeos, redes sociais. Mas a imagem na tela é uma coisa, e a realidade é outra. Cheguei e fui incorporado à Legião Internacional de Defesa da Ucrânia, inicialmente em um batalhão de treinamento. Depois, fui transferido para uma unidade de combate, na infantaria. Participei de batalhas e me tornei batedor, pois isso correspondia à minha experiência e habilidades.
O que realmente vale destacar é a postura. Vi respeito por parte dos recrutadores, instrutores e comandantes. Desde o treinamento básico até as tarefas mais avançadas, tudo é estruturado de forma lógica e profissional.
Minha trajetória aqui não tem nada de romantismo, mas sim de trabalho, disciplina e treinamento constante. O exército ucraniano se mostrou muito mais preparado tecnicamente do que eu esperava. Recebemos treinamento no uso e combate com drones, medicina tática, operações de assalto em áreas urbanas e em trincheiras. Esta é a guerra moderna, na qual você precisa ser não apenas forte, mas também preparado e atento aos detalhes.
Fiquei positivamente surpreso com o ambiente internacional. Servi ao lado de britânicos, americanos, canadenses, australianos e muitos latino-americanos — colombianos, venezuelanos, argentinos, uruguaios. Cada um é diferente, mas a motivação é a mesma. Aqui, todos estão unidos por uma ideia comum: a liberdade. Para mim, isso não é uma palavra abstrata. Vim porque acredito na dignidade humana e no direito das pessoas de defenderem seu país.
Também percebi rapidamente que é importante se adaptar. Aprender ao menos palavras básicas em ucraniano e saber inglês não é apenas uma recomendação — é uma necessidade para se comunicar normalmente.
Para mim, é importante que exista certa conexão cultural entre o Brasil e a Ucrânia. Temos uma grande diáspora ucraniana, especialmente nas regiões do sul. Algumas tradições se sobrepõem, o que ajuda a sensação de que você não é completamente um estranho neste país.
Eu aconselharia a todos que pensam em vir que tenham plena consciência de seus motivos. Não se deve vir baseado apenas em emoções, mas com a clara compreensão de que você fará parte de uma estrutura. Isso exige disciplina, vontade de aprender e respeito pelo país em que você serve.
Minha experiência aqui é a de um exército profissional. É um lugar onde muito é exigido de você, mas onde também lhe dão a oportunidade de provar seu valor e se tornar parte de algo maior.
Machine
Fiquei sabendo da guerra pelas notícias e redes sociais. A agressão da rússia contra a Ucrânia me pareceu profundamente injusta. Nós também estávamos passando por momentos difíceis na Colômbia, então entendo o valor da paz e da vida humana. Foi isso que me motivou a vir para cá. Fiz isso com minhas próprias economias e por livre e espontânea vontade.
Minha experiência servindo no exército colombiano foi muito útil. Mas, na Ucrânia, adquiri novos conhecimentos sobre técnicas modernas de combate e aprendi a usar novos tipos de armas. O treinamento em medicina tática foi especialmente importante, porque essas habilidades realmente salvam vidas.
Lembro-me bem do meu primeiro dia na Ucrânia. Quando cheguei a Lviv, tudo parecia desconhecido, mas, ao mesmo tempo, muito acolhedor. O taxista que me levou ao centro de recrutamento não me cobrou nada — ele apenas me abraçou e disse “obrigado”. Naquele momento, senti que tinha feito a escolha certa. Como colombiana, não esperava tanta cordialidade, mas isso me ajudou a sentir que não era uma estranha ali.
O que mais me impressionou na Ucrânia foram as pessoas. Elas são abertas, sinceras e muito humanas. A única dificuldade é o idioma, mas nem isso se torna uma barreira quando há respeito mútuo. Servi com soldados de diferentes países e, apesar das diferenças culturais e linguísticas, estamos unidos por um objetivo comum.
Vim para cá não apenas para lutar, mas para apoiar as pessoas que se tornaram minha família. E acredito: graças à união, à força de espírito e à justiça, certamente venceremos.
Glória à Ucrânia!
Tata
Vim para a Ucrânia ciente de que um país menor está lutando contra um maior. Ainda assim, acredito que Deus está do lado daqueles que buscam a liberdade.
Tomei conhecimento dessa guerra pelas redes sociais — vi vídeos, ouvi histórias e percebi que não podia ficar de fora. Entrei em contato com um compatriota que já havia estado na Ucrânia, aprendi todos os passos e vim por conta própria.
No meu país, servi em uma unidade especial da polícia nacional, onde recebi treinamento intensivo em operações em áreas urbanas e rurais. Essas habilidades se tornaram a base do meu preparo aqui na Ucrânia. Também fiz um curso de medicina tática, algo fundamental para prestar primeiros socorros de forma adequada a um camarada ferido em combate. A guerra moderna também envolve tecnologia: drones, novas armas e decisões rápidas. Por isso, entendo a importância de aprender constantemente.
Para mim, vir para a Ucrânia não foi apenas uma decisão, mas um chamado para servir. Quis dar minha contribuição à luta pela liberdade e usar minha experiência para ajudar as pessoas. Hoje, tenho certeza de que foi a decisão certa.
Fiquei profundamente impressionado com os ucranianos. A gratidão deles para com os voluntários estrangeiros é sincera e genuína. As pessoas se cumprimentam nas ruas, as crianças sorriem e, mesmo sem palavras, é possível sentir o apoio delas. Isso é muito motivador. O exército ucraniano também impressiona: trabalho em equipe, apoio mútuo e o princípio de “não abandonar os seus”. Isso é verdadeira irmandade. Além disso, a experiência do exército ucraniano é extremamente valiosa.
Acredito que a Ucrânia vencerá. Os ucranianos estão lutando pelo direito de viver livremente em sua própria terra. E, mesmo que sejamos “pequenos soldados” diante de um grande inimigo, a verdade e a fé nos dão força — como Davi contra o gigante Golias.
Para aqueles que estão pensando em vir, eu diria: esta deve ser uma decisão consciente. É preciso preparo físico e psicológico, compreensão e apoio da família e, principalmente, um desejo sincero de ajudar. Aqui, a guerra une pessoas do mundo todo. Servi com colombianos, peruanos, brasileiros, italianos e georgianos — e entre eles encontrei grandes amigos.
É aqui que você entende o verdadeiro valor da liberdade.
Glória à Ucrânia!
Varon
Quando a invasão russa em grande escala da Ucrânia começou, as notícias do massacre em Bucha, do bombardeio de Kiev e de outras cidades ucranianas se tornaram um ponto sem volta para mim. Fiz as malas e me juntei à Legião Internacional, porque não podia ficar de braços cruzados, sabendo o que estava acontecendo.
Os ucranianos me impressionaram muito. Honestamente, eu não esperava ver tanta força e coragem. Apesar de serem em menor número que os russos e terem menos recursos, eles lutam com muito mais ferocidade do que eu poderia imaginar. Não se trata apenas de um exército – trata-se de um povo que entende claramente pelo que está lutando. Os ucranianos lutam pela liberdade e independência de seu país, para que seus filhos cresçam em um país livre. E é isso que lhes dá a vantagem.
Estou convencido: a rússia não vencerá. Porque não se trata apenas de tecnologia ou números. Trata-se de valores, de motivação propria, da disposição de lutar até o fim – até a última gota de sangue, até a última bala. Os ucranianos têm isso, e seu espírito amante da liberdade não pode ser quebrado. Esta guerra é uma das mais brutais do nosso tempo. Portanto, meu conselho a todos que pensam em vir: tenham plena consciência para onde estão indo e por quê. Não devem encarar a guerra como uma aventura romântica – é uma dura realidade que testa a todos. Portanto, não sejam sonhadores.
Mas também quero dizer que aqui vi verdadeira união e fraternidade militar. Pessoas de diferentes países – ingleses, colombianos, espanhóis, ucranianos – servem juntos nas forças armadas. Não há problemas entre nós. Todos que estão dispostos a ajudar são bem-vindos aqui. Não importa quem você seja – atirador, operador de drone, cozinheiro ou administrador – toda contribuição é importante.
A Ucrânia hoje é um lugar onde mais do que o destino de um país está sendo decidido. E tenho orgulho de fazer parte desta luta.
Glória à Ucrânia!
Francisco
Fiquei sabendo da oportunidade de me juntar ao exército ucraniano por meio de uma publicação no Facebook. Me interessei, comecei a ler mais sobre o assunto, a buscar informações por fim, decidi me alistar e vir. Na época, eu estudava física, mas decidi abandonar os estudos. Afinal, o que estava acontecendo na Ucrânia me parecia profundamente injusto. Muitas pessoas inocentes estavam morrendo aqui por causa da agressão russa.
Fui muito bem recebido na Ucrânia. Os ucranianos foram amigáveis me apoiaram, ensinaram e me aceitaram como parte da família. Sou sinceramente grato a eles por isso. Desde o primeiro dia, senti que não era um estranho.
O treinamento na 4ª Legião Internacional me proporcionou muito. Conheci novas tecnologias que eu não tinha visto antes no Peru. Passamos por treinamento de defesa e ataque, aprendemos medicina tática como prestar primeiros socorros a um companheiro ferido diretamente durante o combate. Esta guerra é extremamente tecnológica e significativamente diferente dos conflitos em outros países, então é preciso aprender e se adaptar constantemente.
Minha principal motivação são as pessoas. Quando você sabe que civis, crianças e idosos sofrem, é impossível ficar indiferente. Estou convencido de que a rússia é a agressora, porque os russos invadiram o território de outra nacao, atacando cidades pacíficas e infraestrutura civil como usinas de energia, hospitais, escolas, jardins de infância.
Mas também vejo todos os dias, militares ucranianos e voluntários de diferentes partes do mundo lutam lado a lado nas trincheiras contra o inimigo. É muito difícil, mas estamos unidos por uma fé e determinação em comum. Portanto, acredito que a Ucrânia vencerá.
Aqui, servi junto com voluntários do México, Argentina, Chile, Brasil, Colômbia, Paraguai, EUA, Canadá, Itália e de países africanos. Esta é uma verdadeira irmandade internacional, unida pela ideia de lutar pela liberdade e justiça.
Para aqueles que desejam se juntar, sempre enfatizo: é preciso estar preparado mental e fisicamente. Se uma pessoa não estiver psicologicamente preparada, durante o combate pode entrar em choque, e as consequências disso podem ser trágicas. Não apenas as habilidades são importantes aqui, mas também a força de espírito.
Glória à Ucrânia!
Xaex
Sou do interior do estado de Minas Gerais, no Brasil, mas morei na Europa por mais de dez anos. Hoje estou na Ucrânia há quase dois anos, um país que se tornou meu lar.
Acredito na força do povo ucraniano. Acredito que esse povo não vai desistir. Apesar do que se possa ouvir em alguns meios de comunicação, como se “a rússia fosse vencer”, a verdade é outra: uma guerra em grande escala já dura quatro anos, e a Ucrânia se mantém firme. O povo ucraniano está resistindo. E eu vejo isso todos os dias.
Quando a invasão russa em grande escala começou em 2022, eu morava na Europa. Tenho um filho que também mora lá. Pensei que essa guerra pudesse ir mais longe. Mesmo naquela época, sentíamos as consequências — aumento dos preços, instabilidade. Mas não se tratava apenas da economia. Senti que precisava fazer algo.
Entrei em contato com os militares que já estavam aqui, obtive informações e fui para a Ucrânia. Aqui, compareci ao ponto de recrutamento de voluntários estrangeiros — e foi aí que minha jornada na Ucrânia começou. Minha primeira unidade foi a Quarta Legião Internacional. Passamos por um treinamento militar intensivo de cerca de dois meses. Foi uma base sólida que me abriu oportunidades para servir ainda mais.
Inicialmente, eu era motivado pelo desejo de ajudar a impedir uma guerra que poderia ter se alastrado. Mas, uma vez aqui, minha visão mudou. Vi como os ucranianos são hospitaleiros, fortes e unidos. Hoje tenho uma família ucraniana — e isso me motiva ainda mais.
Sei que pessoas estão morrendo. Dói. Mas também vejo que os ucranianos não querem desistir. Eles querem lutar até o fim. Há força nesta cultura. A perseverança é o que une ucranianos e brasileiros. Nós, brasileiros, temos garra. E os ucranianos também.
Eu costumava servir com americanos, brasileiros, colombianos, canadenses e, agora, principalmente com ucranianos. E nunca tive problemas por causa da nacionalidade. O importante aqui é que você veio para proteger as pessoas.
Há um salário, tudo é pago claramente, duas vezes por mês. Mas se alguém pensa apenas em dinheiro, essa é a motivação errada. Quero dizer honestamente: não venham para cá com a ideia de que a guerra é como um jogo de computador. A guerra é sangue, dor e um risco real de perder a vida. Nenhuma quantia em dinheiro pode compensar isso.
Se vierem, venham com uma ideia, com compreensão, com vontade de ouvir e aprender. Aqui vocês servirão com ucranianos, receberão ordens de ucranianos. Vocês têm que se adaptar à cultura e ao sistema militar deles, e não o contrário.
Agora estou servindo na 31ª Brigada Mecanizada Separada. É uma brigada forte com bom apoio. Temos uma unidade que é composta principalmente por brasileiros. Comecei como instalador de explosivos para drones e, mais tarde, tive a oportunidade de me tornar piloto de drones. Há um crescimento profissional real aqui, se você estiver disposto a aprender e trabalhar. Tudo o que nos foi prometido foi cumprido.
Quando você vê as notícias sobre o bombardeio de civis, sobre crianças feridas e mortas, é impossível descrever em palavras. É por isso que estou aqui. Vim para proteger as crianças, os idosos, os inocentes.
Minha definição de Ucrânia é amor. A Ucrânia me acolheu. Tornou-se meu lar. Admiro o povo ucraniano e sua cultura e estou pronto para estar ao lado deles até o fim.
Kaban
Acabei vindo para a Ucrânia por causa da injustiça que vi nesta guerra. Não conseguia ficar distante, sabendo que pessoas pacíficas estavam sofrendo — perdendo suas casas e sendo forçadas a buscar refúgio em outros países.
Na Colômbia, eu era soldado profissional e servi em uma unidade que realizava missões de combate ao narcotráfico e a grupos armados ilegais. Foi lá que tive minha primeira experiência em combate e entendi o que significa ter verdadeira responsabilidade para com as pessoas.
Soube da oportunidade de vir para a Ucrânia por meio de um colega com quem servi. Tomei a decisão e tive a chance de vir para este belo país. Desde os primeiros dias, fiquei impressionado com a hospitalidade. Os ucranianos demonstraram uma atitude maravilhosa — trataram-me como um membro da família. A cultura, as pessoas, a comida — tudo isso me marcou profundamente. A maneira como os ucranianos expressam gratidão e apoio, de forma sincera e acolhedora, me surpreendeu.
Ao chegar, recebi treinamento de alta qualidade: táticas de infantaria, ataque e defesa de trincheiras, artilharia, uso de lançadores de granadas, metralhadoras e fuzis de assalto. Foi dada atenção especial à medicina tática — como prestar assistência adequada e rápida aos feridos e como agir com agilidade e coerência. Foram treinamentos profissionais e muito significativos.
Tive a oportunidade de servir ao lado de voluntários de diferentes países: Brasil, Peru, Uruguai, Argentina, Canadá, Grã-Bretanha, Alemanha e Polônia. Estamos unidos por um objetivo comum: apoiar a Ucrânia e estar ao lado da justiça. Acredito que a verdade deve prevalecer. Lutamos pela liberdade e confiamos na vitória.
Para aqueles que estão pensando em vir, digo três coisas:
- venham com a compreensão de que esta é uma guerra real;
- venham com lealdade e honra;
- estejam física e moralmente preparados.
A Ucrânia é um país de grande cultura, um povo forte e muita dignidade. Sou grato pela oportunidade de estar aqui e apoiar o povo ucraniano.
Glória à Ucrânia!
Chanchiro
Meu nome é David, codinome Gringo, sou de Los Angeles, Califórnia.
Acompanho a agressão russa contra a Ucrânia desde o início, desde 2014. Mas, após a invasão russa em grande escala em fevereiro de 2022, percebi: era hora de agir. Soube do recrutamento de voluntários para o exército ucraniano e decidi me alistar. Não pude vir imediatamente, pois tinha certas responsabilidades em casa. Mas assim que tive a oportunidade, vim para cá.
Inicialmente, servi na Brigada Khartiia. Lá, passei por um treinamento militar completo e aprendi a usar diferentes tipos de armas. Este é um treinamento real que salva vidas. Lembre-se: ninguém vai te mandar para a linha de frente até ter certeza de que você está pronto para o combate.
Após o treinamento, realizei uma missão defensiva na região de Kharkiv. Foi muito legal. Agora estou experimentando o 425º Regimento de Assalto. E, honestamente, fazer isso me faz sentir mais feliz. Aprendi muito, adquiri uma boa experiência e conheci muitas pessoas maravilhosas. O exército ucraniano é como uma grande família. As pessoas aqui são realmente legais e unidas. Os ucranianos fazem coisas todos os dias que outros países levam anos para se preparar.
Voluntários da Colômbia, do Brasil e de outras partes do mundo servem ao meu lado. A barreira do idioma não é um problema para mim. Falo inglês e espanhol, o que me ajuda a trabalhar em unidades multinacionais.
Na Ucrânia, luto pela liberdade. Acredito que todo americano deveria apoiar a Ucrânia, porque nosso país foi fundado nesse valor. Aqui, sinto o mesmo. Os ucranianos querem viver livremente e não querem estar sob o domínio da rússia. O que os russos estão fazendo é injusto.
Portanto, se você acredita na liberdade, não seja indiferente. Você não precisa vir lutar, mas precisa apoiar a Ucrânia. Se decidir vir, esteja 100% preparado. Cuide da sua vida em casa, escolha uma unidade e venha conscientemente. Seja muito responsável. Afinal, isso não é uma brincadeira. Isso é guerra. Mas se você tiver motivação e a atitude certa, poderá fazer algo realmente grandioso aqui.
Glória à Ucrânia!
Gringo
Viemos para a Ucrânia porque este país belíssimo está lutando por sua liberdade contra a agressão russa.
Antes de me juntar ao exército ucraniano, fui soldado profissional na Colômbia por 10 anos. Lutamos contra o narcotráfico e realizamos operações antiguerrilha.
O serviço no exército ucraniano começou com o treinamento, durante o qual aprendemos sobre novas armas, o uso de drones e como combatê-los. No exército ucraniano, recebemos conhecimento e habilidades úteis graças a comandantes e instrutores experientes. Esta é uma guerra de alta tecnologia, como ninguém no mundo jamais viu.
Acredito que a rússia não vencerá a guerra porque é um país agressor, um país invasor. Viola os direitos humanos e as regras da guerra, ataca civis e bombardeia hospitais. E a Ucrânia é um país que resiste ao agressor. Os ucranianos têm a capacidade de lutar e uma grande coragem para vencer esta guerra. Estamos lutando e nos mantendo firmes. E venceremos!
A Ucrânia é um país belíssimo com uma cultura muito interessante. As pessoas aqui são muito hospitaleiras. Eles nos agradecem sinceramente por termos vindo em seu auxílio em um momento difícil para o país.
A propaganda que os russos estão espalhando pelo mundo todo — de que os voluntários estrangeiros aqui não são pagos e são usados como bucha de canhão — é mentira. Aqueles de nós que já estão aqui podem confirmar que na Ucrânia você recebe um salário decente pelo seu serviço. Aqui você recebe hospitalização e tratamento se estiver ferido ou doente. O atendimento médico aqui é de alto nível. Aqui você recebe apoio psicológico.
Eu só quero dizer a todos: não acreditem na propaganda russa.
Quero dar três conselhos para as pessoas que querem vir para a Ucrânia para apoiar este belo país.
Em primeiro lugar, é preciso preparação psicológica. É muito importante que todos que vêm para a Ucrânia entendam com o que vão lidar. O treinamento físico também é muito importante. Aqui você precisará se adaptar a um clima diferente.
Mas que as pessoas que vêm para a Ucrânia tenham certeza de que serão tratadas com cuidado e receberão ajuda. No centro de recrutamento, eles ajudarão vocês e fornecerão todas as informações necessárias para que possam se juntar à causa.
A melhor maneira de nos apoiar agora, se você ficar em casa, é acompanhar nossas notícias. Agora é muito importante para nós que o máximo de pessoas possível ao redor do mundo saiba o que está acontecendo na Ucrânia, saiba sobre a guerra que estamos atravessando.
Glória à Ucrânia! Nós venceremos!
Charly